domingo, 29 de maio de 2011

O Futebol Australiano explicadinho!

Ethiad Stadium, em Melbourne!

Boiando, mas curtindo a atmosfera!

E a torcida na ativa!!

É um tal de todo mundo se pegar...

Corre pra bola não cair no chão Kangaroo!

E o gol tá saindo lá no alto!
Neste final de semana, fomos eu e o Mário assistir a uma partida entre North Melbourne, vulgo Kangaroos”, versus Sidney, no Ethiad Stadium. Foram duas horas de jogo, que a meu ver, não tinha lógica alguma. A torcida, composta desde fanáticos tatuados dos pés à cabeça, até bebês recém-nascidos, participa avidamente do jogo. Gritam, xingam, aplaudem, incentivam, vaiam. Divertidíssimo de ver! Tudo muito civilizadamente.


A partida é mais ou menos como o que acontece diariamente nas escolas: toca o sinal e quase 50 meninos malucos saem em disparada para o recreio. Desesperados, eles se atiram em cima da única bola que têm para brincar. Na disputa por ela, eles se empilham e se socam, até que a bola espirra para o alto e alguém dá um pontapé; um dos moleques a agarra na outra ponta do pátio e a esmurra para longe, para fugir dos pequenos vândalos que vêm em sua direção e, de novo, começa a correria... Para quem nunca assistiu a uma partida do legítimo aussie footy, é isso o que parece uma partida deste esporte que movimenta fortunas na Austrália.


A diferença é que em vez de pequenos vândalos, os jogadores são homens enormes, (com uniformes minúsculos!); a bola não é redonda, é elíptica, como a de rugby. O pátio é um campo gramado gigantesco, de 185 metros de comprimento por 135 de largura, por onde correm sem parar 36 jogadores e uma penca de juízes. A partida se inicia como que numa birra: um menino nervoso pega a bola com ódio e a atira com toda a força contra o chão, até que ela espirra bem alto e os outros tentam recuperá-la a todo custo. O menino nervoso , no caso, é o juiz, que participa muito mais do jogo do que os juízes do futebol tradicional.


Depois que cheguei em casa, sentei e pesquisei sobre o jogo. E tudo começou a fazer sentido, ou quase. Descobri que o objetivo do futebol australiano, em teoria, é marcar pontos contra o adversário. Na prática, acho que é a pegação, provocar o oponente e marcar em cima, literalmente. Percebi durante o jogo, que há duas formas de se fazer os passes; uma com os pés e uma com as mãos. O passe de mãos é um soco na bola, esmurrando-a para o outro jogador, como em um saque de voley. Os passes com os pés são feitos com bicas astronômicas. Descobri depois, que se o jogador chuta a bola para outro e ele consegue agarrá-la, sem que ela toque o chão, o jogador fica “imune” ao toque do adversário e ganha o direito de fazer um passe, ou tentar marcar um gol, sem risco de ser tocado. Hummm...


O gol também não é tão óbvio e há duas formas de se pontuar. São várias traves altíssimas, paralelas entre si e dependendo de como a bola passa entre elas, é feita a pontuação. No trajeto para o gol, a bola não pode tocar em nenhum outro jogador, nem no chão. Existem dois tipos de pontos: quando a bola passa entre as duas traves centrais, são marcados seis pontos, é o gol tradicional. Mas, se a bola passa entre as duas traves laterais, esquerdas ou direitas, é marcado um behind, que vale apenas um ponto.


A partida é frenética. São quatro tempos de vinte minutos cada, de correria, agarra-agarra, cambalhotas, saltos ornamentais e empurrões. Um pouco de cirque du soleil, um pouco de Jiu Jitsu, muito dos “Trapalhões”. Os juízes são engraçados. Se é escanteio, são eles quem fazem os arremessos, de costas para o campo, num lançamento “cego” com as mãos, para o alto. Se é gol, eles levantam bandeiras e depois as amarram nas traves. Correm sem parar, para acompanhar o ritmo da partida. São tão atletas quanto os próprios jogadores.


No final das contas, Sidney ganhou a partida por um ponto de diferença. Foi pena, porque Melbourne deu o sangue até o último minuto. E porque foi só depois de eu entender o que estava se passando em campo, que eu tomei partido, e os Kangaroos ganharam mais um “louco pro seu bando”!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Seis viagens exóticas para fora da Austrália!

Nova Zelândia e seus contrastes únicos!

Phi Phi Island, na Tailândia

Bali, templos e natureza!

Vietnam, e sua geografia impressionante!


Singapura, um pouco do futuro?

Ilhas Fiji, isso existe?
Não há como não assumir que quem encara um dia inteiro exaustivo de viagem para vir do Brasil para a Austrália, não seja apaixonado por viagens. Parte fundamental da graça de chegar tão longe no mapa é a de conhecer o maior número possível de lugares por aqui, aproveitando que já se está no meio do caminho.

E não basta viajar pelo país, que é enorme, porque sempre fica aquela coceirinha cutucando os pensamentos, dizendo que a Tailândia está logo ali, que Fiji nunca mais vai estar tão perto e que algumas das cidades mais exóticas do globo estão a poucas horas de distância. Só o fato de estar na Austrália já é uma excelente, senão a única oportunidade na vida, para se desvendar o lado B do planeta, que geralmente vem por último na lista das prioridades dos viajantes. Afinal, não conheço nenhum brasileiro que preferiu conhecer Phi Phi antes de Paris, ou a Nova Zelândia antes de Nova York!

Com isso em mente, e aproveitando a carona até a Austrália, eu e o Mário resolvemos dar uma esticadinha em setembro para um destes paraísos tão distantes do Brasil. Mas foi difícil escolher o destino, porque em cada esquina de Melbourne se depara com uma agência de turismo oferecendo pacotes incríveis para estas regiões inusitadas. Aqui, listei seis das muitas opções que analisamos antes de definir o roteiro, e que são tentadoras para qualquer mortal mochileiro:

1.      Nova Zelândia
Localizada a dois mil quilômetros a sudeste da Austrália, a NZ é um país insular formado por duas massas de terra principais, comumente chamadas de Ilha Norte e Ilha Sul, e por múltiplas ilhas menores. Os habitantes originais da ilha são o povo Maôri, mas com a colonização européia, existe hoje uma interessante mescla de culturas. A natureza do país é seu maior trunfo turístico. Paisagens de Alpes nevados, lagos em vales bucólicos e praias paradisíacas atraem visitantes do mundo inteiro. Os esportes radicais também são um ponto forte do país. Bungee jumping, tirolesa, saltos de pára-quedas, rafting e diversas outras modalidades de esportes fazem a cabeça dos visitantes. A Ilha sul é a mais turística, mas há pacotes para diversos pontos do país. Com 500 Dólares é possível comprar um pacote de quatro dias para Auckland, a maior cidade do país, com passagem aérea inclusa. Não foi esse o tour que nós resolvemos fazer em setembro, mas se não acontecer mais nenhum terremoto, como o que destruiu Christchurch recentemente, e se sobrar verba, a Nova Zelândia ainda pode ser uma das nossas próximas viagens. Fingers crossed!


2.     Tailândia
A Tailândia é um daqueles destinos muito convidativos, mas também um pouco ameaçadores. Elefantes, templos religiosos, sabores paradisíacos, praias imaculadas, massagens revigorantes, tudo sob o fantasma e contínua ameaça de um novo tsunami ou de conflitos civis. Por se tratar de um roteiro muito barato para quem está na Austrália, muita gente vai para lá. Phuket e Phi Phi Island são os pontos mais procurados. Nós quase optamos por Phi Phi Island, a ilha onde foi filmado A Praia”, com Leonardo di Caprio. Mas o tempo de vôo de nove horas, somado ao temor de alguma intercorrência natural ou política, nos fizeram optar por outro destino...


3.     Indonésia:
Praias maravilhosas, cultura milenar, templos espalhados em meio a uma paisagem natural incrível, entre florestas e vulcões, com resorts oníricos a preços extremamente baixos. Por tudo isso, a ilha de Bali é o destino preferido dos australianos para passar as férias na Indonésia. Pacotes para Bali saem por volta de 800 Dólares, com parte terrestre e aérea. O problema lá não são os preços, é o povo. Por ter maioria mulçumana, a Indonésia está sempre no alvo dos conflitos, e o clima de terrorismo costuma rondar os lugares. Por isso, nós que somos conservadores, optamos por uma parada menos tensa, e Bali ficou pra uma próxima vez. Mas quem encara esse fantasma e sai ileso da experiência garante que é uma viagem inesquecível! Pelo menos é o que conta Elizabeth Gilbert, autora de “Comer, rezar,amar”.


4.     Vietnam
Ao lado da Tailândia, entre o Laos e o Camboja, o Vietnam desponta como mais um destino impressionante na Ásia. Entre as cordilheiras que circundam o país, se revezam num cenário de fantasia, as belas e tradicionais plantações de arroz, as praias paradisíacas com rochas monumentais mergulhadas no mar, ilhas tropicais e inúmeros rios, serpenteando por suas matas e cidades a água que provém do clima quente e úmido das monções. A culinária e hospitalidade vietnamitas também são marcas registradas do país e atraem gente do mundo inteiro. Um tour de dez dias, incluindo passagens aéreas, hospedagem, passeios por várias cidades, um cruzeiro noturno e tour pelas principais ilhas sai por volta de 1300 Dólares por pessoa. O voo de mais de oito horas de duração foi o que pesou contra nossa escolha de ir para o Vietnam, porque em poucos dias de voltar de lá estaríamos encarando outra maratona aérea, para retornar ao Brasil.


5.     Singapura
Ao lado de Tóquio, Seul e Xangai, a cidade de Singapura é um dos centros financeiros e industriais mais importantes da Ásia. É um reduto de riqueza, em meio à pobreza que ainda impera no sudeste asiático. A ilha é famosa por seu aspecto futurista, arranha-céus gigantescos, empresas milionárias, pela limpeza, pela organização, pela segurança. Mas também é famosa por suas leis severas e punições inacreditáveis. Devo assumir que tenho curiosidade de conhecer a cidade, mas me recusei a pisar num lugar aonde mascar chiclete, falar palavrão e apresentar um conhecido como “amigo” para outra pessoa, sejam considerados crime! Por isso, abdiquei da viagem para lá. Mas quem não masca muito chiclete, não faz muitos “amigos” e não tem a boca suja, pode pensar em passar alguns dias na cidade espetacular sem estresse. Pacotes de cinco noites custam por volta de 1.300 Dólares, com as passagens. Mas pense em levar um extra, para pagar fiança, caso termine a viagem na cadeia!


6.     Ilhas Fiji
Quando pensava em Ilhas Fiji, imaginava um refúgio de celebridades e milionários excêntricos, um lugar meio que de ficção, habitado por personagens de TV e cinema e não reles mortais, como eu. E para tirar a prova de realidade deste paraíso tropical, foi para lá que decidimos ir. São cerca de 840 ilhas e ilhotas ao sul do Pacífico, a quatro horas e meia de voo de Melbourne, que compõe a República das Ilhas Fiji. A capital é Suva, na Ilha de Viti Levu ("Grande Fiji"). Há pacotes para muitas das ilhas e são elas os famosos cartões postais de Fiji, verdadeiros cenários dos desenhos do Pica-Pau: um redondinho de areia com um coqueiro no meio, mas sem o estresse do jacaré maluco ou do Leôncio esfomeado. Talvez alguns pernilongos e nada mais além das areias fofas e macias, da água morna e cristalina, e do relax.


Os mais caros e exclusivos resorts ficam nestas ilhotas e só é possível chegar nelas após uma longa viagem de barco ou um transfer de teco-teco. Os resorts mais acessíveis ficam na Costa de Corais, que é para onde nós vamos. Mas é possível fazer passeios para conhecer as ilhas paradisíacas, mesmo estando na costa. Pacotes para Fiji podem sair a partir de mil Dólares, com muito luxo (e nenhuma dor de cabeça) incluído no pacote!

No final das contas, qualquer um destes destinos seria perfeito para nós, porque todos são exóticos, incríveis e incomparáveis com o que conhecemos.  O que importa numa viagem exótica como estas é ir com o espírito preparado para experimentar o diferente e enriquecer o repertório, sem fazer pré-julgamentos, porque há sabores que habitam mundos muito além da nossa imaginação e degustar um pouco destes paraísos é sofisticar o paladar para a vida toda! Bon appétit!

domingo, 22 de maio de 2011

Um bate-volta à Sorrento!

Sorrento, ponto de encontro dos milionários!

Coppins Track, o caminho do paraíso...

Mário, em Saint Pauls Beach

As rochas, as gaivotas e o mar bicolor

Sorrento Back Beach

Visual de cair o queixo...

Jubilee Point, o auge do passeio!

Pôr do sol no Coppins Lookout, em Sorrento Back Beach, pra fechar o dia!
Não, não fiz um bate e volta para a Itália neste final de semana. A pequena cidade de Sorrento que visitei fica 112 kms ao sul de Melbourne. E não deixa muito a desejar à sua  homônima, que vive sob a sombra do Vesúvio, às margens do Mar Tirreno, na deslumbrante Costa Amalfitana.


A Sorrento que conheci fica numa estreita linha de terra da Mornington Peninsula, entre a baía de Port Phillip ao norte e o mar aberto do estreito de Bass ao sul. Ela não se construiu com as pegadas do Império Romano, mas suas areias ostentam também um passado histórico. Foi ali, aonde os colonizadores britânicos primeiro se estabeleceram no estado de Victoria. Em homenagem a estes colonizadores, monumentos, ruas e trilhas foram batizados com seus nomes. E foi por estas trilhas com nomes de figuras do passado, que desvendamos, eu e o Mário, o presente de Sorrento.

O acesso à Sorrento se dá pela Ocean Road, que fica ao final da Ocean Beach. Um pequeno boulevard charmoso, cheio de lojas, pousadas, cafés e restaurantes caros constituem a principal rua da cidade. É por lá que desfilam em suas Ferraris e Lamborghinis, os milionários do estado. Com suas Louis Vuitton à tiracolo, eles se reúnem para jogar golfe, fazer compras, passear em seus iates e degustar vinhos raros. Já os que não têm este perfil, chegam de ônibus e se entretêm com as riquezas naturais da região, explorando as trilhas e praias desertas, com sanduíches na mochila para passar o dia...




Para chegar à Sorrento, sem ser em alto estilo, toma-se o metrô na estação de trem Souh Yarra, em Melbourne até Frankenston. Da plataforma cinco, toma-se o ônibus 788, que tem uma parada na própria Ocean Road; depois de duas horas nos coletivos é só descer a ladeira e seguir a placa para Sorrento Back Beach. É ela a primeira e mais popular praia da cidade. De lá saem as trilhas que dão acesso às outras praias, estas sim, desertas e bastante selvagens. As trilhas são todas bem sinalizadas e conservadas, mas devem ser percorridas à luz do dia, porque não há iluminação pública.

A Coppins Track é a trilha que conduz às mais belas praias e vistas da costa. São 3 quilômetros de caminhada para ver as lindíssimas praias de St Pauls e Diamonds Bay, e perder de vez o fôlego no Jubilee Point, um braço de encosta que se lança pelo mar, de onde se tem uma vista completa de toda a baía. O que caracteriza o cenário de sonho do lugar são as espetaculares formações rochosas no meio do mar; não ilhas, apenas rochas, ocre, redutos de gaivotas, banhadas constantemente por ondas raivosas, num contraste de cores que já inspirou muitos quadros famosos.

Passamos lá, boquiabertos, nosso sábado de sol. Neste dia, se o mundo tivesse acabado mesmo, como previam alguns, teríamos morrido realizados, talvez já pressentindo o paraíso...
Mágico: o fim do arco-íris, no meio do mar!
Jubilee Point, um pedacinho do céu na Terra:

video

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Melbourne e a arte do bem-estar!

Arts Centre, à nós, cabe contemplar...

 "Three Businessmen Who Brought Their Own Lunch", Swanston St

"Public Purse", uma bolsinha gigante para sentar no $, na Burke St

‘Architectural Fragment’, em frente à State Library, alerta à transitoriedade de tudo!
Catavento, no anúncio sobre energia renovável, no ponto de tram!

"Fallen Soldier", que relembra vítimas das guerras, em praça.

Girafa que animou festival na futurística, Federation Square!

Não é um quadro, mas foi pintado pelo mesmo autor do cenário abaixo...

As cores que pintam o outono da cidade!
O que torna uma cidade especial? Seus habitantes? Sua arquitetura? Sua gastronomia? Seu clima? Seus negócios? Seu passado? O quê? Difícil saber. A meu ver, é a sua singularidade, aquilo que talvez não seja visível, mas que coabite as entrelinhas de seu cotidiano. A gentileza, a expectativa de vida, a vontade de não sair mais de lá, o desejo de fazer o tempo parar naquele lugar.

Chegar a este estado de nirvana urbano contemporâneo é um processo, algo que não se dá de imediato. É preciso sentir de onde emanam as singularidades da cidade, para tomar consciência, com o tempo, de que se trata de um lugar especial. Comigo foi assim. Mas há sinais, esses sim paupáveis, que indicam o caminho para esta descoberta gradual. A arte é um deles.

Melbourne é pura arte. Arte em todos os sentidos. Arte da convivência, com a miscigenação e pluralidade de culturas vivendo pacificamente; arte da boa mesa, que resultou do encontro bem sucedido entre a cozinha ocidental e a oriental; a arte de priorizar a qualidade de vida, e dedicar-se tanto ao trabalho quanto ao lazer; a arte de reconhecer a arte, inspirar e fazer mais arte. Nesse ciclo artístico é que Melbourne se construiu e se perpetua.

Além do invisível, que só captamos com o tempo, também existe a arte explícita aqui, com os espetáculos incríveis em cartaz em seus múltiplos teatros; nas esculturas surpreendentes espalhadas pelas praças e ruas , ou em exposições ao ar livre; nos acervos dos museus e galerias; nas fachadas e interiores dos prédios; na decoração das lojas, bares e restaurantes; na publicidade lúdica e sutil; no design dos trams; nos contínuos festivais; e nas cores e contrastes da natureza, que sempre nos comovem. A arte como algo que representa um valor maior, em suas mais variadas expressões, que transmite informação, e que, no caso de Melbourne, transmite bem-estar, é o que torna esta cidade singular, especial; é o que nos faz querer parar no tempo, usufruir e contemplar.

domingo, 15 de maio de 2011

Custo de vida na Austrália: como economizar e ser feliz!

Um custo de vida salgado, como o mar...

É preciso se adaptar; correr na praia, para malhar...

Que saudades do UK! Tão mais barato para se viver...

Aqui só resta ser zen, abrir a cabeça para se adaptar!

Está certo que o Brasil há muito tempo inflacionou de vez. Para o bolso brasileiro, tudo está acima do orçamento hoje em dia. O mercado imobiliário disparou; o preço dos carros é um absurdo; fazer mercado está cada vez mais difícil, bem como manter o guarda-roupa, o cabeleireiro, a casa, a vida social e até a saúde em dia! Trabalha-se cada vez mais para dar conta do custo de vida, passa-se cada vez mais tempo no trânsito para fazer qualquer coisa, se gasta cada vez mais do salário para se ter cada vez menos no Brasil. Quanto estresse... E se para o bolso quase vazio do brasileiro está difícil se manter em casa, que se dirá de se manter na Austrália? Quando se pensa neste país tão maravilhoso, com uma das mais altas qualidades de vida do planeta, muita gente já pensa em vir para cá de mala e cuia e deixar o Brasil, com todas as suas mazelas, para trás. E com as portas abertas à imigração, vir para cá pode até ser a oportunidade imperdível de encontrar a felicidade; imperdível e impagável, porque o custo de vida do país é altísimo!

Já morei na Inglaterra por mais de um ano e retornei de lá no fim do ano passado. Para se ter uma ideia de como o Brasil encareceu, apesar da fama de “caro” do UK, posso afirmar que lá eu estava gastando menos do que no Brasil, em muita coisa. Mas quando cheguei à Melbourne, aí sim, vi que o que está difícil, pode piorar ainda mais... Cada Dólar Australiano vale quase dois Reais, então para ter uma ideia aproximada dos preços, é só dobrar o valor e dar um descontinho. Com uma moeda tão poderosa, levando em conta os preços do transporte, com aluguel, alimentação, vestuário, saúde e lazer, a Austrália é algo muito além do poder aquisitivo do brasileiro. A menos que se trabalhe aqui e se receba na mesma moeda, se manter no país é um treino diário de jogo de cintura.

Como estamos aqui com bolsa do Capes, e resolvemos não tocar em nossas economias pessoais, para ter maior segurança quando retornamos ao Brasil, cada dia na cidade é um desafio para economizar. Eu e o Mário gastamos em torno de três mil Dólares por mês aqui, sem luxo algum. Para se ter uma noção básica dos gastos, listei algumas das despesas que temos...

Quando chegamos à Melbourne, imaginamos que alugaríamos um apezinho, mas só conseguimos bancar um Studio flat, que deve ter uns 35 metros quadrados e nos custa 1500,00 Dólares Australianos por mês, pouco menos de 3 mil Reais, sem incluir conta alguma. A internet é pré-paga, porque os planos todos exigem fidelidade mínima entre 12 e 24 meses. Ou seja, gastamos 300 Dólares só para ter internet, que é de péssima qualidade. Telefone, nós não temos, por conta da fidelidade de tempo também. Com isso, gastamos mensalmente em torno de 120 Reais de celular, que só usamos para falar monossilabicamente um com o outro, de vez em quando. Que saudades da Inglaterra e seus planos de cel/tel e internet por 24 Libras por mês...


Alimentos também são caríssimos! Um quilo de frango sai por volta de 12 Dólares, ou 24 Reais; os pães de forma custam em média 3,5 Dólares; um pé de alface custa duas doletas; um refri 2 Litros sai por 3,40, ou seja, quase sete Reais. E foi-se o tempo em que preço de banana era pechincha, porque com as enchentes em Queensland, o quilo da banana está saindo por 13 Dólares, ou 26 Reais! Sem encher o carrinho, gastamos por baixo 800 Dólares por mês em compras, muito mais do que na Inglaterra, infinitamente mais do que no Brasil! Isso sem mencionar os gastos com transporte... O bilhete mensal em Melbourne, que permite uso ilimitado de trams, ônibus e metrô, sai por pessoa, 113 Dólares, ou quase 226 Reais. Na Inglaterra, esse gasto não passava 40 Libras mensais, 140 Reais aproximadamente.


Outra despesa pesada aqui é com o vestuário. As roupas são bem mais caras do que no Brasil, e não há uma loja mais econômica suficientemente decente para suprir nossas necessidades. No Brasil, há opções como a C&A, Renner e Zara; no Reino Unido, a incrível Primark nos supriu muito bem; mas aqui as opções são a Target e Rivers, que apesar de mais populares, ainda assim são caras. Para bolsos mais comprometidos, o jeito é ir às tradicionais secondhand stores...

Além destes gastos “obrigatórios”, que não temos muito como economizar, ainda colocamos no papel as despesas com lazer, afinal, não dá pra vir pro outro lado do mundo e não se divertir... Um cineminha básico sai por 18 Dólares (inteira), ou quase 36 Reais. Às terças, no entanto, o ingresso custa apenas 11 doletas, ou 22 Reais. Os museus são na maioria pagos, diferentemente da Inglaterra, onde era tudo na faixa! E as entradas custam em média 8 Dólares por cabeça. Para jantar fora, não se gasta menos de 50, 60 Dólares, para duas pessoas, comerem um prato simples cada, sem bebidas alcoólicas, num restaurantezinho modesto. Viajar pelo país também é muito caro, muito mais caro do que na Inglaterra, por exemplo. Como as distâncias são muito maiores, os gastos com passagem de trem, ônibus e combustível, para os que estão de carro, são bem salgados. A melhor alternativa é ir de avião, porque as cias low cost têm sempre tarifas econômicas. E para se hospedar, nada melhor do que encarar albergues, em vez de hotéis para se hospedar na Austrália.

Também os gastos com saúde podem ficar pesados para o bolso dos brasileiros por aqui. Para se conseguir o visto, é preciso fazer seguro saúde internacional. Nós fizemos o da Medibank, que é bem popular no país. Pagamos 1500 Reais cada um, pelos seis meses, para ter a menor cobertura, o que exclui exames e alguns procedimentos. O sistema funciona por reembolso, e muitas vezes, não integral das despesas com médicos. Depois de romper os ligamentos do tornozelo e precisar fazer exames para ver o tamanho do estrago, tive que amargar com 100 Doletas de despesas, que o seguro não quis embolsar, mesmo tendo sido uma emergência. Desanimador... Na Inglaterra, o serviço de saúde NHS é público e de qualidade, o que fazia toda a diferença para nós...


Fazer academia aqui foi um luxo que não nos demos. Sem um plano de seis meses que nos servisse, precisaríamos arcar com 20 Dólares por dia, cada um, para usar a academia; ou pagaríamos em média 200 Dólares cada um por mês. Isso, nós pagamos no Brasil, para ter o Clube Pinheiros inteiro ao nosso dispor, e não quisemos desembolsar esta fortuna para frequentar academias de bairro. “É preciso ter a flexibilidade do bambu para se dar bem na vida”, já diziam os budistas; por isso, adaptamos nossas possibilidades esportivas para o tamanho do nosso bolsinho... Correr na praia e fazer musculação na pracinha virou nosso novo esporte! Só espero que o inverno não acabe com a nossa diversão.


O site Yes Australia tem um post com os preços aproximados das coisas no país. Já vi que o texto está desatualizado, porque TUDO está uns 30% mais caro do que os valores que eles apresentam, mas vale dar uma olhada para se ter uma ideia maior do custo de vida.


Com tanta conta alta para pagar aqui, o segredo é mudar. O brasileiro precisa trocar os supermercados de rede pelos Markets; as lojas de roupas, pela second hand stores; as viagens de trem, pelas de avião; a fartura, pelo comedimento; o hábito pela improvisação; o desejo, pela sublimação. Sim, porque só sublimando as vontades insatisfeitas e encontrando novas formas de se satisfazer, o brasileiro menos abastado vai ser feliz na Austrália. Tornar a passagem “pobre”pelo país uma experiência enriquecedora, conciliando economia com felicidade, é um desafio, mas só depende de abrir a mente, de experimentar o diferente, de exercer no dia-a-dia, o lado zen de viver! Ôhmmmmmmmmmmmm...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O clima louco da Austrália!

Mochilinha nas costas para o strip ao longo do dia...

E boné na cabeça para proteger a cabeleira dos ventos!

Que friaca! Outono, com 4 graus em Melbourne!

Pelo menos, temos as cores outonais para aquecer o coração!
O clima na Austrália é um capítulo à parte na biografia do viajante que acampar aqui por um tempo. O tamanho imenso de seu território comporta as variações climáticas mais intensas do mundo. O clima do país é classificado assim: tudo o que está acima do trópico de Capricórnio é considerado clima tropical; o que estiver abaixo é considerado clima Temperado. Por estar no hemisfério sul, as estações do ano seguem o mesmo padrão do Brasil. Mas as semelhanças com nosso clima tupiniquim não são muitas...

Durante o verão, que começa no meio de dezembro e acaba em fevereiro, as temperaturas podem facilmente ultrapassar os 40 graus. E o pior é que fica bem sobre ao país o maior buraco na camada de ozônio do mundo. Isso significa que é imperativo usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados. O maior número de vítimas de melanoma (o tipo mais grave de câncer de pele) é na Austrália. E por mais paradoxal que possa parecer, o fator mais alto de protetor solar que se vende no país é o 30! Por isso, vale encher a maleta de protetores potentes antes de desembarcar na terra do sol maligno!

Durante o inverno, o frio e o calor se revezam, mas o céu azul geralmente é uma constante, com exceção de Melbourne, cuja fama de ser a cidade mais britânica do país, tem um clima bem instável. Aliás, desde que cheguei à Melbourne, em março, pude aproveitar apenas poucos dias de calor. Segundo meteorologistas, estamos tendo o mais frio outono em 70 anos. Semana passada, registraram temperaturas de apenas 3 graus. E longe da família, dos amigos, dos pets, do clube, do guarda-roupa, do pão de queijo, ah, de tantas coisas mais, fica ainda muito mais frio esse outono... Além do frio, tem o fog e os ventos, que têm o dom de descabelar completamente até japonesa de cabelo chapado. Por isso, não abro a mão de boné e boina!

Em algumas cidades, como a capital Canberra, pode fazer muito frio e até nevar. No inverno, que pode começar em maio e terminar no final de agosto, chega a nevar em alguns pontos da Austrália, e as Estações de Esqui da Tasmânia e New South Wales viram a atração do país. No Norte, entretanto, o inverno não é frio, ao contrário, é a melhor época para viajar a região. Ciclones também são comuns entre os meses de dezembro e maio, no Norte, Nordeste e Noroeste da Austrália, provocando inundações, como as que aconteceram em Queensland este ano.


As chuvas também têm um padrão esquisito por aqui. Pode cair o mundo num lugar e a menos de cem metros dali, pode estar o maior sol. O site BOM tem duas definições para chuva: Uma quando se referem a "showers", que são as chuvas isoladas; e outra para as chuvaradas de verdade, “rains”. Mas quando se referem a "hail", é melhor correr,  porque significa que vem chuva de granizo gigante pela frente.


No começo do ano, choveu tanto em Queensland, que até hoje a cidade tem partes submersas. Já no Outback, o clima geralmente é muito árido, bom apenas para lagartos e seres afins. Mas, recentemente a região também recebeu mais água do que o normal e acabaram florescendo alguns matinhos inesperados... Por isso, o lema aqui é não esperar nada do clima, porque tudo pode acontecer. Mesmo as previsões do tempo erram constantemente.

Outro fenômeno bem engraçado é o padrão que as temperaturas seguem. No Brasil, ao meio-dia estamos fritando no verão; aqui, só esquenta de verdade umas duas, três da tarde. As manhãs são mais frias e demora bem para o calor chegar de vez. Por isso é muito comum presenciar verdadeiros strips pelas ruas ao longo dos dias. Uma mochilinha para guardar o excesso de roupas é fundamental por estas bandas!

Com tantas peculiaridades, pode-se dizer que cada cidade tem um mérito climático próprio. Algumas ostentam com orgulho seus troféus:

O Oscar Esquizofrenia Suprema, de clima maluco é de Melbourne. O dia pode começar gelado e ensolarado, nublar, chover, abrir um sol de rachar de novo, chover mais, fazer sol outra vez, cair a temperatura, subir a pontos escaldantes, e descer de novo. Dizem que a cidade tem todas as estações do ano em um único dia. Acho que isso é um consolo, porque tenho esperança de ver algum verão ainda pelos próximos meses...

O Troféu Garoa é de Sydney. As chuvas não são fortes, mas quando chove em Sydney não para mais. A incidência de chuvas bate Melbourne no total de mililitros anuais.

O Oscar Ventania é de Perth e Hobart, que recebem ventos constantes do Oceano Índico.

O Troféu Molhadinhas pertence à dupla Cairs e Port Douglas, que estão na zona tropical do país e brindam os visitantes com sua alta umidade e constante sensação de estar sendo “cozido no vapor!

Essa variação climática toda poe ser boa para o viajante, afinal ele consegue mesclar dias na praia, com os de neve nas montanhas, pode tomar um chopinho gelado para se refrescar, ou um chocolate quente para se aquecer; e pode usar ora canga, ora cachecol, ora guarda-chuva, ora guarda-sol. Difícil apenas, é fazer caber nos ridículos 23 kgs de limite de bagagem da Qantas, tudo o que se vai precisar para desfilar por aqui!

Adelaide
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro /Fevereiro          15        30
Outono: Março /Maio                      12        23
Inverno: Junho/ Setembro             5          15
Primavera: Setembro/Nov              11         22

Brisbane
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          21        32
Outono: Março - Maio                      17        26
Inverno: Junho - Setembro             5          21
Primavera: Setembro – Nov           15        25

Melbourne
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro           20        28
Outono: Março - Maio                      12        24
Inverno: Junho – Setembro             5          16
Primavera: Setembro – Nov                       10        23

Perth
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro           20        32
Outono: Março - Maio                      17        26
Inverno: Junho - Setembro             6          20
Primavera: Setembro - Nov             14        23

Sydney
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          18        29
Outono: Março – Mai                       15        25
Inverno: Junho - Setembro             5          20
Primavera: Setembro - Nov             14        23

Hobart
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          14        22
Outono: Março – Maio                     8          19
Inverno: Junho - Setembro             3          13
Primavera: Setembro – Nov            9          18

Canberra
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          14        27
Outono: Março - Maio                      8          20
Inverno: Junho - Setembro             1          10
Primavera: Setembro – Nov           6          18

Darwin
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          24        34
Outono: Março - Maio                      23        32
Inverno: Junho - Setembro             21        30
Primavera: Setembro - Nov            22        32

Cairns
Temperatura (ºC)                             Min    Max
Verão: Dezembro - Fevereiro          23        32
Outono: Março - Maio                      20        30
Inverno: Junho - Setembro             19        27
Primavera: Setembro - Nov             20        30