quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bells Beach, o paraíso do surfe!


Trilhas entre as praias...

Jan Juc e suas pedreiras monumentais!

Jan Juc do alto!

Bells Beach, pequenina e poderosa!

No mar sem ondas em Bells, vale apelar aos céus!

Vestígios da Rip Curl!
Quase na final!
 Apesar da semântica afirmar que sou “aquela que vem do mar”, não sou uma pessoa “marítima”. Sou muito capricorniana, mais chegada na certeza de um chão, mesmo que de areia, do que na inconstância de águas volúveis, à mercê de correntes. Prefiro a segurança de um passo à incerteza de um mergulho. Gosto de ir à praia para andar, ou descansar numa sombra, enquanto analiso o movimento geral das pessoas, dos surfistas, dos cachorros, sem me render às águas geladas. E foi isso o que fizemos, eu e o Mário, logo após a Páscoa, um tour por algumas das praias mais famosas do mundo.

A 100 km de Melbourne, na cidade de Torquay, fica Bells Beach, onde há 50 anos acontece a mais longa competição de surf do mundo, a Rip Curl! O evento dura 11 dias e acontece anualmente. Este ano, conforme consta no site da competição, as provas começaram no dia 19 e deveriam terminar no dia 30, mas não foi bem o que aconteceu... Isso porque nós chegamos lá dia 29 para conferir as finais e descobrimos que o último dia havia sido no domingo de Páscoa. Com isso, foi por água abaixo o sonho de testemunhar o torneio (e de me deparar com o Kelly Slater). Mesmo assim, valeu a visita à meca do surfe.

Bells Beach é linda. Pequenina e selvagem. Fica numa reserva ecológica, portanto, não há civilização alguma em seu entorno. As praias vizinhas - Torquay e Jan Juc (as mais próximas) são igualmente lindas, apesar de mais povoadas, e também merecem uma visita. Estão dispostas por uma das costas mais deslumbrantes do planeta, visível pela estrada Great Ocean Road. São 243 km de estradas com vistas espetaculares, apreciando as formações rochosas enormes que penetram mar adentro, começando em Torquay e terminando em Allansford. O ápice das formações e dos suspiros acontece com a visão dos "twelve apostles", ou Doze Apóstolos”, entre as cidades de Princetown e Peterborough, que veremos numa próxima viagem.

O ideal é percorrer toda a estrada de carro, com tempo, se possível em mais de um dia. Mas como desta vez, nossa ambição era ver apenas o torneio, fomos de trem e ônibus. Tomamos um trem na Southern Cross Melbourne Station para Geelong, uma cidade que também vale a pena conhecer! Da própria estação de trem e com a mesma passagem (que custou 17 Dólares ida e volta), pegamos o ônibus e em 30 minutos chegamos a Torquay. Nós descemos na segunda parada, que fica logo após passar um centro comercial bem turístico, com as mais famosas lojas de surf do mundo, perto do maior museu do surf que existe.

Caminhando por cerca de meia hora pela cidade, chegamos à praia. Bem tranquila, ampla, mar aberto. Seguindo pelas trilhas que costeiam a praia, rumamos para a vizinha Jan Juc. Uma praia comprida, com encostas de pedras gigantes, um mar azul incrível. Foi lá aonde vimos surfistas aos montes, talvez nostálgicos pelo fim da Rip Curl em Bells Beach, dando shows nas ondas.

Mais uma hora de caminhada pelas trilhas, circundados por um visual paradisíaco, e chegamos à cobiçada Bells Beach. Cartazes de lojas, fotos de surfistas, o placar com os resultados e rock tocando no máximo volume eram os únicos vestígios da competição. A praia estava quase deserta, o mar flat, sem onda alguma, nenhum surfista no mar. Ficamos lá, eu e o Mário, andando pelas pedras, analisando o movimento fim de festa na praia, imaginando como teria sido ver aquela praia tão pequena, se tornar imensa aos olhos do mundo do surfe. Descobrimos pelos quadros de classificação que Kelly Slater foi eliminado nas quartas de final pelo brasileiro Adriano de Souza, o "Mineirinho", que por sua vez foi eliminado nas semifinais pelo campeão Joel Parkinson, e isso nos deu certo orgulho.

O pôr do sol nos anunciava hora de retornar. Hora de voltar às trilhas, passar por Jan Juc, pegar o ônibus em Torquay e o trem em Geelong. Uma longa viagem nos esperava, bem como um imprevisto no meio do caminho. O encontro fatídico de uma escada velha com uma pessoa desastrada; ou uma pessoa velha, com uma escada desastrada, tanto faz. O que importa foi o saldo do encontro: um entorce de tornozelo com alguns ligamentos rompidos. E algumas semanas de molho, de muletas, de saco cheio... Talvez com isso eu aprenda uma lição; talvez eu devesse rever os meus conceitos, revisitar meu signo, me apropriar de meu nome, e questionar se alguns mergulhos na vida não seriam mais certos do que certos passos que damos em falso!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Phillip Island: um passeio com altos e baixos!

Autêntico, por enquanto...

Os fofos coalas do Maru Park!

Que fome, hein pessoal!

Os pequenos cangurus, wallabies!

Nobbies

No entorno da fazenda vintage, a melhor programação!

Um dos mais famosos tours que os viajantes fazem na Austrália é para a Phillip Island, que fica 140 km a sudoeste de Melbourne. A ilha é famosa pelos diversos parques e reservas ecológicas que preservam a vida de animais como coalas, cangurus, o demônio da tasmânia, entre outros.


Pelo fato de ser muito grande, com 26 km de extensão por 9 km de largura e suas várias atrações  serem muito distantes umas das outras, o ideal é ir de carro ou fazer um tour com alguma agência de turismo. Eu e o Mário bem que tentamos descobrir uma maneira de ir usando o transporte público, para termos mais liberdade, mas percebemos que seria inviável conhecer o lugar em um dia, então acabamos fazendo um tour com mais 11 pessoas de diferentes países e um guia muito caricato.

Fizemos a Day trip no domingo de Páscoa, no meio de um feriadão de cinco dias (Páscoa e Anzac Day) e, diferentemente do que eu podia imaginar, a estrada e os parques estavam lotados! Fomos pegos na porta de casa às 8h30 da manhã e retornamos às 10hs da noite, após enfrentarmos muitas filas e congestionamentos. Por isso, o melhor talvez seja evitar datas comemorativas para fazer a viagem!

O roteiro tradicional na ilha compreende quatro atrações principais: Koala Conservation Centre, Churchill Island Heritage Farm, Nobbies Centre e a Penguin Parade. O ingresso para conhecer todos sai por $37,00 por pessoa. O preço do tour foi 75 por pessoa, incluindo também o almoço e o transporte; o que pode sair mais barato do que alugar um carro e gastar com combustível, GPS, estacionamento...

O Koala Conservation Centre é imperdível! É uma fazendinha que cria animais da fauna australiana. Entre dingos (uma espécie de coiote), wombats (uma marmota gigante) e demônios da tasmânia, há muitos cangurus e wallabies (um tipo menor de canguru) soltos. Também podemos alimentá-los e tirar fotos com os maravilhosos e pacíficos coalas. Para nós, o centro foi o ponto alto do passeio! Os cangurus se aproximam sem medo, seguram nas nossas mãos e comem calmamente o matinho que se compra por uma doleta na entrada do parque. Há cangurus albinos, bebês, e alguns enormes, para interagirmos! Difícil acreditar que aqui se coma a carne destes animais tão dóceis e empáticos...

Uma paradinha interessante, mas que talvez seja dispensável para quem não tem crianças, é a Churchill Island Heritage Farm. O lugar é uma fazenda da época vitoriana, que conserva arquitetura e o modo de vida da década de 1850. Há atividades com animais, como ordenha da vaca, tosa de ovelhas, passeio de charrete, e exposição de carros antigos, com venda de produtos vintage. Percorrer as trilhas à beira da praia, bem na frente da fazenda, é a melhor forma de passar o tempo na região, em minha opinião.

No caminho para a Parada dos Pinguins, fica o Nobbies Centre, que nada mais é do que uma área em frente ao mar, com escadas e mirantes para observar a incrível formação rochosa que existe no local. Com sorte, o viajante pode avistar pássaros raros e focas. Eu não vi nem um, nem outro. Mas, de qualquer forma, a paisagem é mesmo deslumbrante e vale uma parada para contemplar o pôr do sol antes de rumar para a famigerada Penguins Parade.

A Parada dos Pinguins, apesar de ser a mais aclamada das atrações, foi bem frustrante. Em minha opinião, o evento é a pura “mercantilização” de um fenômeno natural e que, com o tempo, está modificando o comportamento animal. O fato é que no lugar da praia onde todos os dias “centenas” de pinguins (pelo menos é o que dizem; mas se eu vi dez foi muito!) retornam de um dia no mar, foi construído um teatro grego, onde centenas de pessoas (pelo menos é o que eles dizem, porque eu vi milhares!) se espremem e freneticamente aguardam para vê-los caminhar desengonçados, de volta aos seus lares, entre as pedras e vegetação. Pode ser que um dia, tenha sido bonito ver este retorno dos pequeninos às areias, desfilando como em uma parada. Mas o que presenciei na verdade foi uma parada de pessoas desengonçadas desfilando loucamente para ver meia dúzia de pinguins, em locais distantes da praia, (talvez fugindo dos holofotes que existem no teatro), para encontrar algum sossego. O interessante foi apenas vê-los já nas matas, fazendo um burburinho, com seus piados e grunhidos divertidos. O circo montado para o espetáculo mata a beleza do fenômeno, e isso é uma pena...

Além destas quatro atrações que eu conheci, há ainda muitas outras opções de passeios: tours de barco para ver de perto as focas, passeios de helicóptero, aluguel de caiaque, jardins botânicos, um kartódromo, museus, campos de golfe, boliche, etc. Mas para usufruir com mais calma, provavelmente seja necessário passar um final de semana na ilha. E as opções de acomodação são muitas e para todos os bolsos!

A graça do lugar é a interação com os animais e os cenários que a natureza proporciona. O resto é muita armação, capitalização ambiental, intervenção humana dispensável; e nada disso me interessa. Mas para quem interessar usufruir do contato com a natureza e contemplar belas paisagens, com certeza, vale pagar o preço dos programas “mico” e aproveitar o pouco que ainda resta de autêntico nas atrações, e isso fica por conta dos animais!


domingo, 17 de abril de 2011

Point Napean National Park, um tour fora de Melbourne!

E lá vamos nós, a pé pelo parque!
Caminhando por uma das várias trilhas...
Seria o paraíso assim?
Blue temptation!
Que vontade de descer pra praia...
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Mar da Tasmânia à esquerda e Philip Bay à direita!

Melbourne pode ser muito dinâmica e viciante para quem vem de uma cidade tensa e pouco amiga como São Paulo. São tantas coisas interessantes acontecendo ao mesmo tempo, tanta arte, beleza, tanta civilidade e natureza, que facilmente nos deixamos envolver por uma rotina às avessas, repleta de novidades e atividades felizes, dia após dia. E quando percebermos, já se passaram quase dois meses e ainda não conferimos nada do que há fora da cidade para conhecer também!


Por isso, neste sábado, eu e o Mário decidimos colocar os pés na estrada e encarar nossa primeira viagem em Victória, longe da apaixonante Melbourne. E o destino escolhido foi o Point Napean National Park, para conhecer a pontinha de terra que separa a baía de Port Philip do Mar da Tasmânia, há 90 km da cidade. O parque está localizado na ponta da Península de Mornington, num local onde se tem grande visibilidade de toda a região. Durante o período das grandes guerras, funcionava ali uma base militar, com fortes, hospital e áreas para abrigar pessoas em quarentena, por suspeita de doenças ou em tratamento médico.


Como o critério fundamental para planejar qualquer coisa nessa terra cara, é o dinheiro, bolamos um roteiro supereconômico (e desgastante também). Para começar, fomos de metrô e ônibus, o que levou três horas para ir e mais três para voltar. Partindo de Melbourne, a melhor forma de chegar até o parque é saindo da estação South Yarra, numa viagem de cerca de uma hora até a estação Frankeston, de onde parte o ônibus 788  com destino a Portsea (para planejar bem os horários, vale antes passar no centro de visitantes e pegar o itinerário dos ônibus). A estação fica na zona 2, então é preciso ter o tíquete válido para zonas 1 e 2! A viagem de ônibus leva quase duas horas e termina no ponto final, bem em frente à entrada do parque. A jornada de ida e volta, contando o tíquete para a zona 2, sai por 11,40 dólares por pessoa. Em compensação, a entrada para o parque é gratuita; é só pegar um mapinha no centro de informações e começar a longa caminhada pelo parque!


E o parque é imenso, com muitas trilhas e edificações espalhadas; por isso, assim que chegar ao centro de informações, o visitante deverá optar por qual maneira vai explorar o parque: a pé, de bondinho, ou de bike. As bikes custam 20 doletas por dia; os bondinhos saem por 8 e circulam em horários estabelecidos pelo parque. Bom, acho que já deu para adivinhar qual foi a nossa escolha... E lá fomos nós, munidos de nossos bons e velhos tênis, conhecer o parque. Para os  desavisados, vale avisar que são quatro horas de caminhadas, duas para ir e duas para voltar do Observatory point, o ponto mais extremo do parque,  de onde se tem a belíssima vista da baía de Port Philip e do Mar da Tasmânia ao mesmo tempo.


O local tem a fama de ter uma das mais ricas faunas e floras do estado de Victoria, com animais que vão desde pássaros raros, até os tradicionais cangurus, mas nós não vimos nenhum ser que se assemelhasse a nenhuma das categorias; apenas uma lula morta, muitas conchas e pedaços de corais na praia. Mesmo assim, a natureza do parque é exuberante e compensa por si só o dia puxado da viagem!


Nós percorremos o parque pelas trilhas e pela praia, que fica bem em frente, mas o acesso à praia é restrito. Há muitos pontos com sinalização de bombas - vestígios do passado militar - e placas proibindo a saída para a areia. Infelizmente, toda a beleza que avistamos pelas trilhas é para ser contemplada de longe. O mar azul, os corais, as areias fofas, os penhascos, tudo absolutamente lindo, intocado e intocável. Não sei se acredito que haja bombas na praia. Desconfio que a proibição seja mais por conta de proteger o meio-ambiente, ou proteger os visitantes, porque é uma região de mares conturbados, com navios naufragados e onde presumidamente morreu afogado em 1887, o primeiro ministro australiano, Harold Holt.


 O espírito do passeio é o de apreciar mesmo, esquecer um pouco a pretensão de interagir com a natureza. O ideal é levar uma cestinha de piquenique (porque não há lanchonetes no parque!), achar um cantinho especial e passar um tempo, entre uma guloseima e outra, comendo com os olhos o que não pode ser tocado...


Além das maravilhas do parque, a região toda da península de Mornington é convidativa para um dia ou dois de visita. Vinícolas, campos de golfe, veleiros em marinas, lojas, restaurantes e pequenas cidades costeiras atraem gente de todas as partes da Austrália. Mas esse já é um roteiro para quem está mais disposto a gastar e por enquanto, nesse quesito, esse blog não vai ajudar... Mas quem sabe um dia, amigo, eu não chego lá!?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Circulando por Melbourne: os dilemas dos viajantes!

Os típicos e práticos trams, para o bem de todos!

Bikes tradicionais para alugar na Federation Square...

Ou bikes customizadas*, para os mais criativos!

Bus na faixa no centro, pra quem curte uma mamata!

Ou skates para os mais radicais...

O que não dá é  pra ficar parado!

Depois de encarar em torno de 20 intermináveis horas de viagem para chegar à Austrália, a maioria das pessoas que vem para passar um tempo aqui precisa tomar algumas difíceis decisões. A primeira é entre comprar ou não comprar um carro.

Isso porque todo mundo que vem para cá tem o desejo de explorar o país e como as distâncias são muito grandes entre uma cidade e outra, fica muito caro viajar de trem, ônibus ou alugar um carro. Para ponderar esta escolha, saiba que muitas concessionárias vendem carros usados a preços bem razoáveis (já vi carros a venda por 500, 600 dólares) e compram os veículos de volta, a um valor decente, quando o proprietário quiser revendê-lo. Se a pessoa pretende utilizar o carro no dia a dia e para viagens de final de semana, pode compensar mesmo comprar o carro. Mas é preciso colocar no papel os gastos com seguro, combustível, manutenção, garagem, estacionamento...

As viagens longas saem mais em conta quando feitas de avião do que de carro, trem ou ônibus. Para alguns trajetos, é possível achar passagens a partir de 35 Dólares por perna em empresas low cost, como a Jet Star e Virgin Blue.

No caso de o viajante preferir utilizar o transporte público no dia a dia e dispor de um carro apenas para algumas viagens próximas e menos frequentes, pode compensar alugar um veículo. O aluguel de um econômico com GPS custa aproximadamente 100 Dólares por dia, mas quanto mais dias com o veículo, menor o valor final da locação. Para ter uma noção dos gastos, a dica é comparar os preços cobrados por diferentes locadoras. O site Compare CarRent faz a cotação de algumas locadoras. Lembre-se que quanto mais longa for a viagem, maior será a conta do combustível. Então, se houver mais pessoas para partilhar as despesas, melhor!

Quem optar por alugar um carro deve possuir carteira de habilitação válida acompanhada de uma tradução para o inglês, ou ter a carteira internacional de habilitação, que se tira em autoescolas a um preço bem salgado ( paguei 300 Reais!)

Eu e o Mário preferimos não comprar um carro, porque o transporte público de Melbourne é bastante eficiente. A população, entretanto, não concorda comigo, e a maioria aqui tem seu próprio carro, o que causa um trânsito bem pesado em certos horários.

Temos aqui a nosso dispor, o metrô de superfície, os trams e os ônibus. As rotas são muito fáceis de compreender, dão conta da cidade inteira e os passes podem ser comprados via online, em lojas de conveniência, em estações de trem e nos próprios trams (com moedas, nas máquinas automáticas). A questão aqui é qual tipo de passe comprar: os passes avulsos, ideais para o uso for eventual; os passes semanais, se o uso for mais frequente; ou comprar o cartão recarregável Myki, que tem algumas restrições e condições de uso, mas é um pouco mais em conta que os outros, se o uso for frequente. Os passes semanais custam por volta de 30 Dólares por semana e os mensais 120. Eles dão direito a utilizar tanto os metrôs, quanto os trams e ônibus. Seja qual for a opção de passe, é preciso ter sempre em mãos o tíquete válido, porque sempre entram fiscais conferindo, e na falta do tíquete, a multa é cara, imediata e certeira!

Nas regiões mais próximas ao centro da cidade, também há uma linha de ônibus e de tram gratuita. O bondinho é uma graça, estilo vintage, e funciona como um city tour, com narração dos pontos de interesse e paradas estratégicas. Um passeio obrigatório, ou uma carona imperdível para quem passeia pelo centro...

Há ainda uma opção mais romântica e privè de passear, as carruagens vitorianas. Elas circulam aos montes no centro da cidade, partindo da Swanston St.

Outro dilema bem frequente é entre comprar ou não uma bicicleta. Isso porque a cidade é toda plana, linda e cheia de ciclovias, muito convidativa ao exercício. Eu e o Mário ficamos muito em dúvida em comprar ou não as bikes, mas desistimos, por algumas razões:

1) o preço: bikes de segunda mão podem sair por volta de 70 dólares; as de supermercados saem por volta de 100 e as de lojas especializadas custam de 200 a 5000 dólares. Some a estes valores o preço do capacete – aproximadamente 30 dólares, da corrente – 20 dólares e do cadeado, mais uns 20 dólares. Pois é, ficou caro e ninguém iria comprar nossas bikes usadas; 2) o clima: estamos entrando no outono e daqui pra frente, até outubro, o tempo só tende a piorar, com muito frio e muitas chuvas, o que estraga os passeios; 3) o medo: sim, medo de sermos atropelados, porque apesar das ciclovias, acontecem muitos acidentes; medo de cair, porque os ciclistas dirigem feito loucos; medo de roubarem as bikes, porque apesar de muito segura, o crime mais comum aqui é roubo de bikes.

Em vários locais da cidade, no entanto, para quem preferiu não comprar uma bike, há centenas delas para alugar. Os preços variam de acordo com o número e horas, dias ou meses que se pretende utilizá-las. Prático e pode ser mais econômico também! Mas para quem vai ficar bastante tempo (e vai pegar o verão e a primavera) e é bom nos pedais, acho muito válido comprar uma magrela e encarar feliz o rombo no orçamento!

Para os turistas menos dispostos, um consolo são os inúmeros de taxis, circulando o dia inteiro por toda a cidade. As corridas custam caro, porque tudo é muito longe, mas podem quebrar um galho na hora da fadiga geral.

Além dos carros e bikes (próprios ou alugados), dos trams, ônibus, carruagens, metrôs e taxis, existem também as opções alternativas e igualmente legítimas de transporte, como os patins, patinetes, skates, bikes horizontais* e até os próprios pés, para circular pela cidade. Com tantas alternativas, são mesmo muitas as dúvidas e os dilemas que os viajantes enfrentam até escolher como transitar, mas todos eles podem ter uma certeza: a de que seja lá qual for o meio de transporte escolhido, em Melbourne, só o que não dá para fazer é ficar parado!

domingo, 10 de abril de 2011

As Melhores praias da Austrália e o trunfo das praias de Melbourne!

Inspiring Sunset

Meu recanto preferido: a marina de Brighton Beach...

Kitesurf em St Kilda!

Cooper no calçadão de St Kilda!

Falésia em Sandringham
Trilha em Sandringham
 
Algumas das praias da Austrália estão entre as melhores do mundo, contemplando com muito o que fazer, todos os perfis: surfistas, banhistas pacatos, naturistas, exploradores, crianças... Todas, no entanto, têm a característica de serem bem diferentes das praias do Brasil. Avisos de águas-vivas, pedras, desnível, mudança abrupta no sentido das correntes, além da eventual aparição de tubarões, deixam sempre uma sensação de perigo à vista. Por isso, é preciso “um pé atrás” para mergulhar de cabeça nas ondas do paraíso...

Considerando que a costa do país tem mais de onze mil praias a disposição, fica difícil ranquear as melhores, mas há certo consenso de que as imperdíveis sejam as seguintes:


Bells Beach – Localizada em Victoria, na Great Ocean Road, é considerada o paraíso do surf! Muito fotogênica, a praia estampa muitas capas de revistas de surf!

Bondi Beach – Em New South Wales, Sydney. A praia fica a poucos minutos de Sidney e é famosa por agregar todos os tipos de banhistas, o que nem sempre é uma coisa boa... De tão procurada, ganhou um programa de TV - Rescue in Bondi Beach, onde são mostrados os resgates feitos por salva-vidas, entre uma confusão e outra que acontece no local.

Byron Bay – Em New Souh Wales, essa praia de ondas fortes e ventos constantes é reduto de muitos resorts. Cercada por uma bela mata, é a preferida de muitos viajantes.

Cable Beach – Em Broome, Western Australia. Os seus 22 quilômetros de areias fofas e um mar turqueza inacreditável de águas calmas renderam a reputação mundial de paraíso tropical à praia. Perfeita para famílias e quem gosta de caminhadas.

Cottesloe – Para quem curte mergulho, surf, natação ou um simples banho de mar, essa praia em Perth, Western Australia, é a ideal. Nos seus arredores, casas e estabelecimentos antigos proporcionam uma atmosfera nostálgica e acolhedora, que deixam o viajante com vontade de se mudar para lá de mala e cuia!

Four Mile Beach – Como diz o próprio nome, são quatro milhas de areias, em Port Douglas, Queensland, ao longo de uma das mais espetaculares rotas costeiras do país. Envolta por uma serra com densa vegetação, a praia fica na rota para explorar a Grande Barreira de Corais, um dos cartões-postais da Austrália.

Gold Coast – Em Gold Coast, Queensland, há praias para surf, como a Surfers Paradise, e para badalação e paquera, como a Main Beach. A região é um santuário ecológico, com infra-estrutura para passar os dias e esquecer a vida. Também dividem espaço, parques temáticos e centros comerciais.

Hyams Beach – Em Jervis Bay, New South Wales, fica a praia com a areia mais branca do mundo! Impossível enxergar alguma coisa sem óculos escuros. Com cafés e restaurantes logo ali, é a praia ideal para famílias.

Palm Beach – Para cruzar de frente (ou de costas) com os ricos e famosos, é fundamental um pulo a esta praia nas proximidades de Sydney, em New South Wales. Cercada por mansões e restaurantes luxuosos, é um lugar para quem quer ver e ser visto!

Ninety Mile Beach Pode parecer ”muita areia pro seu caminhãozinho”, e é! São quase 20 quilômetros de praias e dunas em Gippsland, Victoria, a menos de três horas de Melbourne. O mar é bom pra peixe, pra surfistas e para praticantes de kitesurf, por causa dos ventos fortes. Também se reúnem por lá, muitos pescadores, canoístas, velejadores, nadadores...

Whitehaven Beach – Essa praia de quase 6 quilômetros de extensão fica em Whitsundays, Queensland, próximo à Grande Barreira de Corais, na quase deserta Whitsunday Island. Para chegar neste paraíso de mar turquesa é preciso uma pequena viagem de ferry, partindo de Airlie Beach. Com muitos resorts, a ilha é de fato o paraíso, com opções de mergulho, esportes aquáticos, passeios a cavalo, compras e tudo mais o que a imaginação instigar a fazer...

As praias de Melbourne não têm a areia mais fofa do mundo, ou o mar mais turquesa da Austrália; nem atraem mulhares de visistantes diariamente, como algumas das que constam desta lista. Suas praias são mais fotogênicas do que interativas. Com exceção dos que praticam kitesurf, o mar vive à deriva, com o perdão do pleonasmo. Águas geladas e povoadas por águas-vivas (inofensivas, mas meio pegajosas), pedras e mais pedras, além de suas areias levemente argilosas, reduzem as possibilidades lúdicas dos banhistas. Nos dias de sol, muita gente estende a toalha na areia e fica lagartixando, mas nada muito interessante de se ver ou fazer, além disso.

St Kilda Beach é o ponto da badalação, entre as descoladas Acland e Fitzroy St. No final da tarde, é possível ver alguns pinguins entre as pedras do píer de St Kilda. Distante do centro, na região de Sandringham, existem praias quase desertas, com mais natureza ao redor. Há trilhas para caminhadas, uma marina, mesas para piqueniques e também restaurantes. Brighton Beach é uma praia destas praias, o ponto preferido de famílias e seus cachorros, ao pôr do sol. E esse sim é o maior trunfo das praias de Melbourne, o pôr do sol, visto de qualquer uma de suas despretensiosas, mas sempre convidativas praias!



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os mercados de Melbourne!

Hawthorn Craft Market, dentro de um teatro


Prahran Market, um mercado cheio de degustações!

Bons preços, menos charme...

St Kilda Market, pra animar o domingão!

Queen Victoria Market, a mãe dos mercados de Melbourne!

Se existe um lugar que consegue retratar um pouco do estilo de vida em Melbourne, esse lugar são os markets. Sotaques do mundo todo em meio a produtos igualmente globalizados, aguçando nossos sentidos e nos fazendo conhecer um pouquinho de cada cultura que divide espaço na cidade... Esse é o cenário dos mercados, um ar rural de feira com um quê cosmopolita.

Por isso, tente se livrar da imagem do Pão de Açúcar, que existe em sua mente; os mercados daqui tomam as mais variadas formas, com os mais diferentes temas e cores. São mercados de rua e mercados de galeria; mercados de frutas ou de tecnologia; mercados à beira-mar e mercados à luz da lua, mercados de velharias; mercados de livros e de artesanato; mercados caros, mercados baratos; mercados caídos ou animados, mercados, mercados...

São centenas de mercados espalhados por toda a cidade, todos os dias da semana, em diferentes locais horários. Minha ambição é conhecer todos, “colecionar os mercados”, mas sei que vou fracassar, porque eles se proliferam e não há como controlar esse “market boom” que toma conta da cidade!

O mercado-mãe, aquele que iniciou a proposta informal de vendas, típica dos mercados de Melbourne, é o Queen Victoria Market, inaugurado em 1878. O aspecto geral é o de um Ceasa mais limpo e organizado, mas com mais alma, literalmente. Isso porque, no início, no lugar onde hoje acontece o mercado, existia um cemitério. Após muita confusão, o cemitério e seus inquilinos foram transferidos para outra região e o mercado se tornou o centro do comércio na cidade, o local onde a população se encontrava e fazia suas compras. Assim como em qualquer feira, próximo ao horário de fechamento, os produtos saem por metade do preço!

Muitos foram os mercados que seguiram a linha do Victoria, vendendo desde alimentos, até roupas e plantas. Entretanto, são todos menores e mais caros. O que mais gosto de ir é o Prahran Market. Ocupando quase um quarteirão, na esquina da badalada Chapel St, o mercado se parece com um shopping gourmet, com centenas de barraquinhas vendendo desde frutas e verduras até pães apetitosos, carnes para churrasco e delícias tradicionais da culinária turca, japonesa, vietnamita... Nos corredores, perto da hora do almoço, várias banquinhas oferecem degustação gratuita de seus produtos, uma delícia! Aos sábados, às 11 horas, a banda de jazz Marketeers toca para embalar as vendas! Um programão, mesmo que a ideia não seja fazer compras!

Também na Chapel St, fica o divertidíssimo Chapel Street Bazaar. Instalado dentro de uma galeria, ele funciona todos os dias da semana. Milhares de objetos de decoração antigos, discos de vinil raros, itens de colecionador e roupas que marcaram épocas e gerações estão à venda no bazar, mas é fácil passar horas lá só apreciando as quinquilharias e sair de mãos abanando, afinal, “quanto mais velho o produto, mais caro no mercado!“

O South Melbourne Market, próximo à bela Claredon St, é famoso por funcionar aos domingos e por sua grande praça de alimentação. Muitos produtos têm preços excelentes, mas o charme do lugar é bem menor que o Prahran Market.

Todos os domingos, à beira-mar, em St Kilda, funciona o Esplanade Market. O mercado é como uma feirinha de artesanato, mas com produtos mais sofisticados. Vale mais pela atmosfera do que pelos produtos. O ideal é passear por ele e fechar o dia num dos cafés da Acland St ou num restaurante badalado da Fitzroy, logo ao lado!

Durante o outono, acontece aos sábados, no Atrium da Federation Square, o Fed Square Book Market, com a venda de livros atuais e antigos a preços promocionais. O lugar por si só já vale uma visita, com um livro em mãos então, pode-se fechar o dia em alto estilo num dos charmosos cafés do entorno!

Para quem quer comprar, trocar, fazer rolo com produtos de informática, a dica é conferir o site do Markets & Swapmeets, que organiza mercados de produtos usados aos sábados em Melbourne. Se paga uma entrada de dois dólares para entrar, mas os preços baixos dos produtos compensam o ingresso!

Há certos mercados que também funcionam  à noite, principalmente no verão. Alguns têm bandas tocando ao vivo e são montados a céu aberto. Vale checar aqui quais são e conferir os dias e horários de funcionamento.

Dica final: quando for aos mercados, lembre-se de levar uma eco-friendly bag para carregar as compras, porque muitas banquinhas já não dão mais sacolas plásticas! É o lado sustentável do negócio, sempre em alta no mercado!