domingo, 29 de maio de 2011

O Futebol Australiano explicadinho!

Ethiad Stadium, em Melbourne!

Boiando, mas curtindo a atmosfera!

E a torcida na ativa!!

É um tal de todo mundo se pegar...

Corre pra bola não cair no chão Kangaroo!

E o gol tá saindo lá no alto!
Neste final de semana, fomos eu e o Mário assistir a uma partida entre North Melbourne, vulgo Kangaroos”, versus Sidney, no Ethiad Stadium. Foram duas horas de jogo, que a meu ver, não tinha lógica alguma. A torcida, composta desde fanáticos tatuados dos pés à cabeça, até bebês recém-nascidos, participa avidamente do jogo. Gritam, xingam, aplaudem, incentivam, vaiam. Divertidíssimo de ver! Tudo muito civilizadamente.


A partida é mais ou menos como o que acontece diariamente nas escolas: toca o sinal e quase 50 meninos malucos saem em disparada para o recreio. Desesperados, eles se atiram em cima da única bola que têm para brincar. Na disputa por ela, eles se empilham e se socam, até que a bola espirra para o alto e alguém dá um pontapé; um dos moleques a agarra na outra ponta do pátio e a esmurra para longe, para fugir dos pequenos vândalos que vêm em sua direção e, de novo, começa a correria... Para quem nunca assistiu a uma partida do legítimo aussie footy, é isso o que parece uma partida deste esporte que movimenta fortunas na Austrália.


A diferença é que em vez de pequenos vândalos, os jogadores são homens enormes, (com uniformes minúsculos!); a bola não é redonda, é elíptica, como a de rugby. O pátio é um campo gramado gigantesco, de 185 metros de comprimento por 135 de largura, por onde correm sem parar 36 jogadores e uma penca de juízes. A partida se inicia como que numa birra: um menino nervoso pega a bola com ódio e a atira com toda a força contra o chão, até que ela espirra bem alto e os outros tentam recuperá-la a todo custo. O menino nervoso , no caso, é o juiz, que participa muito mais do jogo do que os juízes do futebol tradicional.


Depois que cheguei em casa, sentei e pesquisei sobre o jogo. E tudo começou a fazer sentido, ou quase. Descobri que o objetivo do futebol australiano, em teoria, é marcar pontos contra o adversário. Na prática, acho que é a pegação, provocar o oponente e marcar em cima, literalmente. Percebi durante o jogo, que há duas formas de se fazer os passes; uma com os pés e uma com as mãos. O passe de mãos é um soco na bola, esmurrando-a para o outro jogador, como em um saque de voley. Os passes com os pés são feitos com bicas astronômicas. Descobri depois, que se o jogador chuta a bola para outro e ele consegue agarrá-la, sem que ela toque o chão, o jogador fica “imune” ao toque do adversário e ganha o direito de fazer um passe, ou tentar marcar um gol, sem risco de ser tocado. Hummm...


O gol também não é tão óbvio e há duas formas de se pontuar. São várias traves altíssimas, paralelas entre si e dependendo de como a bola passa entre elas, é feita a pontuação. No trajeto para o gol, a bola não pode tocar em nenhum outro jogador, nem no chão. Existem dois tipos de pontos: quando a bola passa entre as duas traves centrais, são marcados seis pontos, é o gol tradicional. Mas, se a bola passa entre as duas traves laterais, esquerdas ou direitas, é marcado um behind, que vale apenas um ponto.


A partida é frenética. São quatro tempos de vinte minutos cada, de correria, agarra-agarra, cambalhotas, saltos ornamentais e empurrões. Um pouco de cirque du soleil, um pouco de Jiu Jitsu, muito dos “Trapalhões”. Os juízes são engraçados. Se é escanteio, são eles quem fazem os arremessos, de costas para o campo, num lançamento “cego” com as mãos, para o alto. Se é gol, eles levantam bandeiras e depois as amarram nas traves. Correm sem parar, para acompanhar o ritmo da partida. São tão atletas quanto os próprios jogadores.


No final das contas, Sidney ganhou a partida por um ponto de diferença. Foi pena, porque Melbourne deu o sangue até o último minuto. E porque foi só depois de eu entender o que estava se passando em campo, que eu tomei partido, e os Kangaroos ganharam mais um “louco pro seu bando”!

7 comentários:

Eduardo Slompo disse...

Hahaha Bem massa o post!

É bem parecido com a molecada na escola saindo pro recreio mesmo... hehehe

Marina disse...

Pois é, morri de rir o jogo inteiro! É tudo a maior confusão, mas no fundo, até que faz sentido!! rsrsrs

Anônimo disse...

Ma, muito boa essa comparação! Imagino que se um E T visse nossa vida por aqui descreveria mais ou menos como você descreveu o jogo.
Engraçado e sutil seu olhar sobre isso, ótimo, como sempre, seu texto.
Adorei!

Beijo!
YBM

Marina disse...

E era mesmo como uma alienígena que eu estava me sentindo naquela arquibancada! rsrsr Bem notado YBM!!

Bjs

Diogo Avila disse...

Marina,

Estou indo para Sydney no Carnaval, e gostaria de saber onde posso ver se tem jogos programados para a época e comprar ingressos.
Ah, mais uma pergunta. Você conhece algum parque onde seja possivel interagir com Cangurus, algo tipo alimentá-los e tirar fotos?

Abraços.

Diogo.
http://cumbicao.blogspot.com/

Diogo Avila disse...

Marina,

Estou indo para Sydney no Carnaval, e gostaria de saber onde posso ver se tem jogos programados para a época e comprar ingressos.
Ah, mais uma pergunta. Você conhece algum parque onde seja possivel interagir com Cangurus, algo tipo alimentá-los e tirar fotos?

Abraços.

Diogo.
http://cumbicao.blogspot.com/

Marina disse...

Oi Diogo! Que máximo que vc vai assistir aos jogos! É bem fácil comprá-los! Procure no site: http://www.afl.com.au/tickets/tabid/212/default.aspx

Cangurus estão em vários parques sim! Perto de Sydney tem o http://walkaboutpark.com.au/
Boa viagem!!
Bjs

Marina