segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Melbourne x Sydney, um duelo de gigantes!

Sydney tem as lindas baías...
E Melbourne tem as Docklands!

Eles tem o Opera House...

Nós temos a Federation Square!

Sydney tem Bondi...

Melbourne tem Sorrento!

Não me façam escolher. Entre Sydney e Melbourne, fico com as duas!

Assim como São Paulo e Rio, Sydney e Melbourne, as duas maiores cidades da Austrália, também implicam uma com a outra. As implicâncias das irmãs vão desde o sotaque, passando pelo clima e pelo estilo de vida dos moradores, até os ícones que cada cidade ostenta.


Como em toda rivalidade, as origens do estranhamento entre uma e outra, tem suas raízes no passado. E vale a pena conhecer os motivos divertidos da encrenca (mas dê um desconto, porque o autor é de Sydney!). Mas o fato é que o tempo passa, os motivos ficam para trás e a rivalidade permanece, se propagando geração após geração.


Quem é de Sydney garante que Sydney é melhor, porque tem um clima mais quente que Melbourne, tem um estilo de vida mais informal e cosmopolita, está próximo às praias mais lindas e badaladas da Austrália e tem entre seus cartões postais, a magnífica Darling Harbour e o Opera House. Melbourne, se defende, afirmando que tem um estilo de vida mais britânico, mais cultural, com uma vida noturna mais viva do que a de Sydney, com mais opções de entretenimento e baladas. Além de ter entre seus cartões postais, as Docklands e a bela Federation Square (palco de infindáveis eventos gratuitos o ano inteiro), Melbourne também se gaba da organização da cidade e seu sistema de transporte (trams), mais fácil e eficiente do que o de Sydney.


O custo de vida de Melbourne (vigésima primeira colocação) também é mais baixo que o de Sydney (décima quarta colocada; pasmem: atrás do RJ, a décima terceira colocada e de SP, a décima cidade mais cara do mundo!), considerada uma das cidades mais caras do mundo pelo rank de2011. E se Sydney esbanja Manly e Bondi logo ao lado; Melbourne ostenta a GreatOcean Road, com dezenas de praias magníficas, além da Mornington Peninsula, onde ficam Sorrento e Queenscliff, entre outras praias incríveis.


De acordo com pessoas que moram em Sydney e que vêm eventualmente para Melbourne, a noite de Melbourne tem uma fama de ser bem mais animada, com bares e clubes em maior número e com horários de funcionamento mais amigos dos clientes boêmios. Também é unânime que para se manter em Sydney, é preciso mais dinheiro, porque da cervejinha ao aluguel, tudo é mais caro do que em Melbourne.


Além de muito mais caro, o sistema de transporte público de Sydney é também mais confuso (apesar de ser mais fácil e confiável do que no Brasil) do que o de Melbourne, com seus trams didáticos e pontuais. Fato: Sydney é maior, mais populosa, mais povoada. E paga um alto preço por isso. As taxas de criminalidade são bem mais altas do que em Melbourne, as ruas são muito mais sujas, a pobreza é muito mais presente. Mas ao mesmo tempo, a cidade é mais deslumbrante, mais diversificada, mais viva.


É quase impossível eleger uma preferida nesse cenário. Meu conceito é que Sydney é para ficar, Melbourne é para casar; Sydney é para passear, Melbourne para morar... As duas são lindas cidades, cheias de atrações, cheias de personalidade e de possibilidades maravilhosas de se dar bem. Por isso é bem difícil escolher entre uma e outra. Para ajudar nesta decisão, bolei um teste infalível para quem está na dúvida entre morar em Sydney ou Melbourne:


Basta responder, mentalmente, sim ou não às perguntas:

1)      Amo o frio

2)     Sou organizado

3)     Minha verba é mais regulada

4)     Sou baladeiro

5)     Sou virginiano, canceriano ou tenho lua em peixes.


Se a resposta foi SIM para três ou mais questões, nem pense antes de escolher Melbourne; caso contrário, o perfil é mais a cara de Sydney! A meu ver, o paulista típico tem o perfil de Melbourne; e o carioca, o de Sydney (sem picuinhas implícitas!).


Mas para quem não vem de mala e cuia, nem cogite escolher entre uma e outra. Num roteiro turístico, fique com as duas, e tente tirar suas próprias conclusões quanto a quem ganha esse duelo de egos entre as irmãs rivais da Austrália!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um dia perfeito em Bondi!

Nas areias saradas de Bondi...

Os famosos salva-vidas!

Trilha entre Bondi, Tamarama e Bronte Beach!

4 kms de pura natureza...

Alguma baleia à vista?

Talvez golfinhos?

Sim, um dueto fazendo graça!

O horizonte é aqui!

Piscina do Iceberg Club!

Superchato...

Drí e Cris, um brinde aos dois! E um brinde à Bondi!

Depois de me esbaldar nas trilhas de Manly, achei que nenhum outro lugar na região de Sydney poderia ser mais bonito. Ledo engano, no dia seguinte, eu e o Mário conhecemos Bondi Beach, uma das mais famosas praias da Austrália e foi lá o lugar que eu mais gostei de conhecer.

Bondi fica a vinte minutos do centro de Sydney. Pode-se tomar o trem na Central Station e seguir até Bondi Junction. De lá partem os ônibus 333, 380, 381 e 382, que param na praia. Existe um grande centro comercial em Bondi Junction, mas a graça do passeio se concentra mais na costa. Três praias vizinhas compõem o cenário mágico de Bondi: Bondi beach, Tamarama e Bronte beach. Uma ao lado da outra, conectadas por um caminho lúdico de pedras e jardins maravilhosos, piscinas, cafés e restaurantes.
 

Não é só pela beleza natural do lugar, mas também pela atmosfera, pela animação, pela energia que parece fluir livremente por lá, que eu e meio mundo nos apaixonamos por Bondi. O nome da praia - pronuncia-se Bondai – significa “barulho da água nas pedras”, na língua dos aborígenes. E nada traduz melhor Bondi do que esse som, do mar agitado estourando nas pedras e rochedos que contornam a costa. O mar, de um azul profundo, é o horizonte preferido dos que passam. Baleias e cardumes de golfinhos nadam constantemente por suas águas, fazendo a alegria dos que nadam e dos que caminham pelas trilhas de Bondi.


O dia que passamos lá foi perfeito. Começou com uma lagartixada nas areias saradas de Bondi, para apreciarmos o visual das pessoas circulando entre a esplanada; para vermos os famosossalva-vidas perambulando em seus carrinhos e alertando os banhistas para nadarem entre as bandeiras (a maioria das praias da Austrália onde há salva-vidas, existem bandeirinhas na areia, delimitando a faixa de mar onde é permitido entrar no mar), e claro, para curtirmos as manobras radicais dos surfistas nas ondas potentes da praia. Aliás, poucos se atrevem a encarar as águas geladas de Bondi, além dos surfistas. A maioria das pessoas nada com roupas térmicas, mas alguns destemidos como o Mário, se jogam na raça na água para um batismo autêntico.


Depois, nós e uma multidão de pessoas, percorremos os quatro quilômetros mais incríveis da costa de Sydney, que interligam as três pequenas praias. Alguns vão correndo, nós fomos em passo de japonês, parando a cada 30 segundos para tirar uma foto...
 
No percurso até Bronte, a última das três praias, passa-se por Tamarama. Sua maior característica é um grande jardim, no “quintal” da praia, cheio de churrasqueiras, mesas para piquenique, banheiros e alguns restaurantes. É uma praia linda, mais familiar, apesar do mar bravo. Bronte, logo ao lado, é frequentada mais por surfistas, em busca de ondas perfeitas. As três praias irmãs formam um conjunto único, inesquecível para quem conhece.


Além da beleza natural da região de Bondi, há muita badalação o tempo inteiro rolando por lá. Campeonatos de surf, maratonas, festas de arromba; tem de tudo um pouco, acontecendo em Bondi. Não à toa, muitos brasileiros escolhem a região para morar. E se eu trocasse o Brasil pela Austrália algum dia, também seria lá onde eu iria querer morar.

Nosso dia perfeito terminou num pub, e frente à praia, com amigos expatriados, que há anos trocaram profissões encaminhadas no Brasil para recomeçar do zero a vida na Austrália. E pela felicidade que exalavam, ficou a sensação de que eles fizeram a coisa certa.

Um brinde a eles; um brinde à Bondi!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Manly, um encontro com o Divino!

A vista do Ferry para Manly já antecipa a beleza do passeio...

Agito na chegada no centro de Manly!

A praia central, reduto do surf e da paquera!

Piscina pública com água do mar!

A caminho de Shelly Beach, uma das 18 praias de Manly!

The bird, the boat and the blue...

As melhores trilhas do mundo!

Alerta: morcegos e raposas na área; dogs, cats & bikes not allowed!

The Hanging Swamp, um mangue hipnotizante!

Os penhascos de Manly!

À procura de golfinhos...

Ao fundo, o centro de Manly; adiante, Sydney!

No topo da trilha, o infinito!

Pôr do sol em Shelly Beach, pra encerrar o dia no céu!

Um dos programas absolutamente imperdíveis para quem vai para Sydney é fazer uma day trip para Manly! Para chegar lá é preciso tomar o Ferry Circular Quay, no píer 3 de Sydney. Quem tem o passe Mymulti 1, não precisa pagar nada, só validar o tíquete na catraca. A viagem leva meia hora, e a travessia da Jackson Harbour já anuncia um passeio inesquecível.


Cercada de água por três lados, Manly é o destino preferido da maioria dos moradores de Sydney! E não é para menos; são 18 praias paradisíacas, quase intocadas pelo homem, cercadas de natureza por todos os lados. As praias são interligadas por estradas e trilhas, trilhas que são consideradas as melhores do mundo pelos andarilhos. Tendo me embrenhado por muito mato nessa vida, confirmo que de fato, as caminhadas são inacreditavelmente bem estruturadas.


O ideal para quem vai à Manly é chegar bem cedo, curtir um pouco a praia central, onde fica todo o comércio, a piscina pública, os restaurantes e cafés e rumar para as trilhas. O trajeto mais interessante de se fazer passa por dentro do chamado North Head Sanctuary. O local onde hoje é um parque ecológico protegido, foi até pouco tempo uma escola de artilharia, onde militares moravam e treinavam para batalhas. Depois de desativada a base militar, decidiu-se liberar a região para o público e essa foi a coisa mais sensata a se fazer, porque não seria justo manter este tesouro para usufruto privado.


As paisagens são deslumbrantes, a vegetação parece ter sido fruto de um projeto paisagístico, e não obra do equilíbrio natural. Animais selvagens também habitam a região, eventualmente fazendo uma aparição surpresa, como os coelhos e pássaros diferentes que flagrei enquanto caminhava de boca aberta. Vestígios do passado aborígene estão presentes ao longo das trilhas, em inscrições nas rochas e em locais protegidos, onde eles enterravam seus mortos. A base militar ainda existe, abandonada e em ruínas em alguns trechos, mas a intenção é que sejam recuperadas e se tornem centros de educação e pesquisa ambiental no futuro.

Enquanto isso não acontece, os andarilhos exploram a região com seus mapas recém-adquiridos no centro de visitantes do santuário (onde dois velhinhos simpáticos dão informações), sem pressa, nem preocupação em se perderem. Isso porque os caminhos são bem delimitados, há indicações a cada 100 metros, bebedores e banheiros em pontos estratégicos. A caminhada pelo parque pode levar até quatro horas, dependendo do ponto que se pretende alcançar. Mas o tempo voa nessas caminhadas e com tanta coisa para ver, é preciso prestar atenção ao relógio para não acabar caminhando no escuro depois...


Rochas gigantes se acumulam formando penhascos em frente ao mar turquesa sem fim e servem de mirante para os que procuram por baleias e golfinhos, ou mesmo pelos os arranha-céus de Sydney, num horizonte mais distante. Alguns casais levam queijos, uvas e champanhe para o topo dos penhascos e celebram o pôr do sol num dos cenários mais românticos que já conheci. Outros, apenas correm em meio às trilhas para deixar corpo e alma em forma. Até crianças acompanham os pais nas trilhas, num ritmo mais devagar, curiosas por tudo. Um mangue no meio da trilha, no alto de uma montanha destoa completamente da paisagem e hipnotiza quem passa por ali, com sua beleza e sons inusitados. Grilos, sapos e pássaros compõem uma sinfonia única no lugar, que se assemelha ao som das músicas dos aborígenes, me fazendo questionar o quanto a natureza os inspirou na criação de sua arte.


O passeio é incrivelmente belo e profundamente inspirador. Não acredito que conhecer Manly, sem caminhar pelas trilhas, sem apreciar um pôr do sol na graciosa Shelly Beach, à sombra de Kokaburras, ou no alto de um penhasco em frente ao infinito que une céu e mar, seja o suficiente. Por isso, se for à Manly, que seja de tênis, que seja acompanhado e que seja aberto a perceber o divino nas formas, nas cores e nos sons da natureza!

Sydney, enfim!

Do alto da ponte, a vista do Opera House e da city!

A ponte magnífica vista do ferry!

Noite de ópera no Opera!

E jantar no The Rocks, para comer também com os olhos!

Nas brechas do Jardim Botânico, vistas de tirar o fôlego!

E em suas árvores, morcegos aos montes, para acabar com a alegria!

Travessia da ponte para ver a city de cima!

Strand Arcade, um charme de lugar!

Aborígenes fazendo um som abo-dance!

The Rocks rocks!

Paddington, o bairro cult!

Celebrity Jack Vidjen, marcando ponto perto do Opera!

Harry's Cafe e as tortas preferidas das celebrities há décadas!

Vista em Kings Cross, um bairro de contrastes!

Somente agora, depois de cinco meses na Austrália, conheci o maior cartão postal do país: Sydney! A culpa por essa demora foram os inúmeros festivais de Melbourne, que nos mantiveram entretidos aqui o tempo todo; além das lindas e convidativas vizinhas em Victoria  (Sorrento, Olinda, Torquay, Ballarat e Queenscliff); as atividades do pós-doc do Mário; e os preços caros das passagens nas férias escolares. Por isso, demorou tanto para tomarmos vergonha na cara e irmos enfim, para Sydney!


E no final das contas, acho que a melhor coisa que fizemos foi deixar o auge da viagem pro finalzinho da nossa estada por aqui. A 30 dias de voltarmos para o Brasil, ficamos com a sensação de que “fechamos com chave de ouro” a nossa “aussie season”! Provavelmente, se tivéssemos conhecido Sydney antes de Melbourne, passaríamos o resto da temporada nos lamentando de estar em aqui e não lá, na cidade espetacular, deslumbrante, incomparável, apaixonante, inebriante, hipnotizante, viciante, magnetizante, alucinante e todos os antes que puderem enfatizar o poder que essa cidade exerce sobre as pessoas.


Sei que nada deixa um texto mais chato do que ficar colocando mil adjetivos para descrever impressões, mas não há como falar desta cidade sem ser uma mala, despejando toneladas de interjeições, chavões e clichês, onomatopéias aleatórias e todo o vocabulário disponível. Mesmo assim, sinto que não vou conseguir fazer justiça à grandeza de Sydney!

Para começar, a cidade parece um cenário de filme de ficção. Fazem parte desta composição surreal - meio Tóquio, meio NY, meio Singapura e meio Londres, arranha céus futuristas (ohhhh!!!), uma baía espetacular (uauuuu!!), emoldurada por passarelas charmosas, repletas de cafés, restaurantes descolados e casas noturnas badaladas (eeeeeee!!!), além de parques e praias absurdamente estonteantes, lotadas de pessoas sorridentes, felizes e com fitness digno de capa de revista (uhuhuh!!)!

Deparar-se com o Opera House é mais do que se deparar com a Torre Eiffel, com a Estátua da Liberdade, o Cristo Redentor ou com o Big Ben, em minha opinião. Vejo o Opera House como o Everest dos monumentos, afinal, a Austrália é mais inatingível para nós brasileiros do que a Europa. Não bastasse sua beleza arquitetônica, seu tamanho colossal, sua delicadeza e perfeição, toda a paisagem que o circunda parece reverenciar sua majestade.


Logicamente, eu e o Mário não conseguimos nos contentar apenas com a fachada do lugar e acabamos indo assistir a uma ópera (The Merry Widow) na primeira noite. Um hora antes do espetáculo, como havia ingressos sobrando, eles acabam vendendo tudo pela metade do preço. Por isso fomos de última hora, com roupas nada glamurosas. E mesmo assim foi ótimo! A atmosfera do lugar é incrível, a vista à noite é mágica e geralmente os espetáculos são de primeira.  Aconselho a todos “fincarem suas bandeirinhas” no cume do Opera, pelo menos por uma noite!
 

 Do outro lado da baía, a Harbour Bridge se curva ao Opera, atraindo milhares de pessoas em busca dos melhores ângulos para fotografar o maior ícone da cidade. Muitos encaram mais de três horas de estepes para chegar ao topo da ponte e ter a vista 360 graus de Sydney. Eu me contentei com a caminhada plana e tranquila pela base da ponte até o divertido Luna Park mesmo. E já foi o suficiente para dar várias suspiradas de emoção...

O Jardim Botânico é também um excelente ponto para fotografar o Opera. Vizinho a ele, o imenso Jardim é um reduto de pássaros, morcegos, espécies variadas de plantas e flores, perfeito para quem quer se exercitar, relaxar ou fazer um piquenique. Perto do parque, fica a Art Gallery NSW, que tem no acervo obras de pintores como Renoir, Degas, Rodin e Picasso, além de telas e objetos aborígenes. A entrada é grátis e vale muito a pena conferir!

Logo abaixo da Art Gallery, às margens do cais, fica o quiosque da mais famosa torta de Sydney! Aclamada por inúmeras celebridades (Jerry Lewies e Russel Crowe, entre elas) desde a década de 30, o Harry's Cafe é um clássico na cidade! As tortas de vários sabores são servidas com purê de batatas e de ervilhas no topo, e come-se em balcões, no melhor estilo trailer! Uma delícia!

A Darling Harbour é outro local de cair o queixo. Numa gigantesca área às margens da baía, se espalham dezenas de restaurantes (foi num dos restaurantes da baía que vimos o vencedor do Australia's Got Talent deste ano, o prodígio Jack Vidjen!), cafés e casas noturnas, o IMAX com a maior tela de cinema do mundo, shoppings, o Museu Marítimo (gratuito e bonitinho), hotéis, além do Aquário de Sydney (não fui, mas dizem ser lindo!) e o Wildlife World, que tem animais típicos da fauna australiana. Circular por lá à noite é super animado, apesar de bem turístico!
 
Além do circuito óbvio das atrações de Sydney, é muito legal percorrer as ruas do centro, passando pela George Street, onde se encontram em meio aos bilhares de chineses, japoneses e coreanos, inúmeras galerias. As que mais valem a pena conhecer são a Strand Arcade e o Queen Victoria Building, que possuem arquitetura vitoriana impecável!


Também é imperdível um tour pelos bairros The Rocks, o mais antigo de Sydney, e que fica logo abaixo da ponte, enfeitando a região com suas ruinhas estreitas e belas construções do século XIX; o Kings Cross, com suas residências vitorianas no topo de colinas contrastando com casas de massagem na Oxford Road; e o bairro de Paddington, cheio de lojinhas cult, baladas alternativas, em uma atmosfera bem informal (estilo Notting Hill, de Londres), onde acontece o imperdível Paddington Market aos sábados. Para jantar, nada melhor do que escolher algum dos restaurantes de frente ao Opera (separado pela baía), no bairro The Rocks. Os preços são exorbitantes, mas quando é que se tem a chance de jantar com uma vista daquela? Vale gastar em dobro no The Rocks por uma noite e gastar metade no lotadíssimo Chinatown no dia seguinte, para compensar.
 
O único ponto negativo que me incomodou em Sydney foi o sistema de transportes. Circular pela cidade pode não ser tão fácil quanto em Melbourne e seus trams organizados. Os ônibus, monorail, ferrys trens e taxis conduzem para todos os lugares, em meio a um trânsito que beira o caos. E não é muito simples descobrir que condução leva para onde, sem ajuda de guias e dicas dos locais. Por isso, acabamos ficando bastante a pé. Para facilitar, resolvemos comprar o tíquete Mymulti 1 (na estação de trem dentro do aeroporto), que dá direito a uma semana de viagens ilimitadas por ônibus, trens e ferrys. Também inclui a viagem de ida e volta do aeroporto. O preço é 59 Dólares e apesar de bem caro, sai mais em conta do que pagar as viagens avulsas apenas, por isso compensa.
 

Fora do centro, há ainda muitas atrações imperdíveis. As principais são as praias de Manly e Bondi Beach, que vou explorar nos próximos posts. Ambas, absurda e incompreensivelmente maravilhosas. Ir à Sydney e perder uma das duas é um pecado sem perdão e que merece ser punido com remorso eterno. Também as Blue Mountains devem constar da agenda do viajante, mas por falta de tempo, acabamos deixando para uma próxima vez e talvez este remorso eu carregue para sempre. Enquanto eu só tenho o meu presente aqui e o futuro no Brasil só chega em um mês, vou driblando esse fardo e assimilando Sydney aos poucos. E quem sabe um dia, as Blue Mountains não acabam se tornando o meu próximo Everest?

domingo, 31 de julho de 2011

A fotogênica e histórica Queenscliff!

A rua principal, com suas fachadas Vitorianas!

A Baía e suas trilhas perfumadas circundam um lado da cidade...

O azul turqueza do mar banha o outro lado...

E as trilhas entrecortam essa semi-ilha!

Do outro lado, Sorrento, de onde parte o ferry!

Mar com cara e cor de piscina!

A praia é para todos!

As pedras e a areia invadem o mar e ajudam a formar o terrível "RIP"!


Para invadir o azul do mar, píers...


Um dos 3 Faróis entre Point Loinsdalle e Queenscliff!

Fica a cem quilômetros de Melbourne, uma das cidades mais fotogênicas que já visitei em Victoria. Queenscliff, ou a “Colina da Rainha” é mesmo um lugar majestoso, localizado bem na entrada da baía de Port Phillip, na Peninsula Bellarine. Quase uma ilha, a pequena cidade é rodeada de água por três lados e pode ser alcançada por Ferry, a partir de Sorrento, numa viagem de uma hora por belas paisagens, ou pela estrada, a partir de Geelong.


Eu e o Mário fomos até Geelong de trem, a partir da Southern Cross Station em Melbourne (uma hora de viagem) e depois tomamos o ônibus 76 para Queenscliff (50 minutos). Descendo na rua principal, bem em frente ao Centro de Informações e ao Vue Grand Hotel, já se nota que a cidade preserva até hoje as características de seu passado glamoroso. Fachadas cheias de detalhes, características da Era Vitoriana, enfeitam os muitos cafés e restaurantes, lojas e antiquários e as casas de moradores endinheirados. As ruas amplas e arborizadas são envoltas pelo verde vivo dos belos jardins; pela Swan Bay e suas trilhas perfumadas de flores (ao lado da linha férrea histórica Ballarine Railway); e pelo azul turqueza inacreditável do oceano, fazendo a alegria de qualquer fotógrafo profissional, ou amador.


A caminhada de uma hora, que conduz de Queenscliff à Point Lonsdale, é o ponto alto do passeio. Faróis (House lights) e píers nas praias compõem o cenário ideal para viajar no tempo e na história, sem abrir mão momento presente. Isso porque além de belas paisagens, a região de Queenscliff tem uma história bem interessante...

 
Para abreviar o seu passado, vale a pena conhecer a história de William Buckley, um prisioneiro inglês que foi trazido à Austrália para povoar os assentamentos dos colonizadores e que fugiu da prisão de barco, com outros prisioneiros. O barco naufragou na fuga e ele foi o único sobrevivente. Após morar por anos em cavernas, sobrevivendo à custa da pesca, Buckley se uniu a uma tribo de aborígenes e viveu por anos entre eles. Tempos depois, a Coroa perdoou seu crime (roubo, mas há controversas...) e ele retornou à sociedade, casado com uma integrante de sua tribo. Tornou-se um intérprete e conhecedor da cultura aborígene e foi imortalizado como um líder pacifista e intermediador das relações entre colonizadores e aborígenes, ou “verdadeiros donos da terra”, como os australianos costumam chamá-los.

 
O mar de Queenscliff também tem seu lugar na história. Bem em frente à praia, fica o Estreito de Bass, numa posição estratégica no mapa da Austrália. Durante o período das Grandes Guerras, o estreito foi alvo de muita cobiça por parte da Rússia e do Japão, uma vez que conduz à Baía de Port Philip, onde está Melbourne. Por conta das constantes ameaças de invasões, foi construído um Forte Militar bem em frente à praia. Os canhões ainda apontam para o mar e para a cidade, relembrando a potência do forte, e hoje são chamarizes para turistas conhecerem a herança militar da cidade.

Mas nem seria preciso canhões para acabar com os invasores, porque o maior aliado do exército era o próprio Estreito de Bass. Isso porque pedras submersas, correntes e ventos perigosos castigam a passagem continuamente e tornam navios os maiores alvos de seus caprichos. O famoso “Rip”, ou redemoinho de Queenscliff, é tido como um dos mais perigosos do mundo, tendo vitimado muitas embarcações, “Mecas” de mergulhadores por aqui. Sua má reputação é tão forte, que ele é chamado de o “Triângulo das Bermudas” da Austrália.

Três faróis e muitos radares tentam levar alguma luz aos que atravessam a passagem traiçoeira do estreito e são como o Graal dos turistas que visitam a cidade, sedentos por uma aventura. É possível visitar os faróis em certos horários. Também o Museu da Vida Marítima é interessante para quem quer saber mais sobre o que habita as águas de Queenscliff. Basta dar uma passada no Centro de Informações e pegar mapas e folhetos das atrações. Depois, é só empunhar a câmera e se esbaldar nos cliques!